terça-feira, 31 de março de 2009

Ela não passava de uma mulher inconstante e borboleta...
Clarice Lispector
Mais precisamente no meu caso, efeito borboleta!!!

segunda-feira, 30 de março de 2009

A RITA


A Rita levou meu sorriso

No sorriso dela, meu assunto

Levou junto com ela o que meu é de direito

Arrancou-me do peito e tem mais:

Levou seu retrato, seu trapo,Seu prato, que papel!

Uma imagem de são francisco

E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor de vingança

Nem herança deixou

Não levou um tostão porque não tinha não

Mas causou perdas e danos

Levou os meus planos, meus pobres enganos

Os meus vinte anos, o meu coração

E além de tudo me deixou mudo o violão

A Rita...


Engraçado como o tempo não vem sozinho. Ele, claro, faz suas demarcações corporais que são as mais visadas e comentadas, mas com ele, ah com ele... com ele vem o nosso eu.

Lembro que cada vez que eu escutava essa música, pensava:Putz (na época não era putz!!!), podiam ter feito uma música com o meu nome que fosse mais a minha cara, tipo assim... um axé! Ou até mesmo algo do Hit "Oh Ana Júliaaaaa, Oh Ana Júliaaaaa...". Mas não. Com o meu nome não me restava um jingle do momento que era cantado por todos, não... Me restava uma melodia calmíssima de Chico Buarque. Ai, eu queria algo que todo mundo cantasse junto: Oh, Ritaaaaaaa.... Oh Ritaaaaaaa!!!

Mas hoje, hoje... preciso dessa música tal qual ela é. Com todos seus acordes, suas notas, suas prosódias, seu ritmo...Ela me completa, me alimenta, me demonstra. Deixa meu ego explodindo de orgulho por teu meu nome na metáfora dessa mulher decidida que o Chico mostrou ali. Se a Rita existiu? Não sei.... se ela existiu eu não sei, mas que ela existe e pode deixar mudo um violão... ah, isso ela pode!

E se alguém ver a Ana Júlia por aí, pode dizer que a Rita mandou um beijo!

Senhas, senhas e senhas: "o que é o que são o que dizem sobre você"

Deus do Céu, por precaução dessa gente mega inteligente que descobre as senhas alheias, minhas senhas são as mais psicodélicas possíveis. Ou impossíveis... Tamanha complexidade e multicriativiadade pode ser usado contra você no tribunal. Esqueci a senha. A senha psicodélica, mega, multi, pluri e ultra psicodélica foi esquecida pela minha cabeça coberta pelos meus lindos e sedosos, diga-se de passagem, fios loiros!
Mas tudo bem, a vida é mutação, falei com o google e segui direitinho as instruções para criar outra. Criei. Mas não esperem que seja algo tão psicodélico quanto "ideias verdes sem cor dormem cuidadosamente", ah não... dessa vez, só dessa vez, caí na normalidade. Mas não achem que eu darei exemplos da minha normalidade, né? Meus fios são lindos, sedosos e loiros mas não sou burra... Ah, isso eu não sou!Pra ser sincera,e bem modesta, nem chego perto!!!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A sem-paciência.

A sem-paciência faz jus ao seu título logo ao acordar. Ao ser acordada pelo barulho do despertador, ela põe o travesseiro na cara, joga o coitado do relógio longe e esbraveja, tudo antes de sair da cama. Começa bem o dia! No banheiro, dá uma mirada no espelho e quase se morde de raiva por ter acordado. Abre o chuveiro e não consegue esperar que o aquecedor ligue, sai mexendo nos registros desesperadamente para que a água esquente.
Seu guarda-roupa é composto por basicamente roupas pretas, cinzas e beges , já que não tem muita paciência de montar um figurino que combine. Os tecidos? Quase todos oxford, jeans e malhas frias para não perder tempo – e paciência – passando com o ferro.
No café, não consegue contar as gotas do adoçante e, nervosa, aperta o frasco deixando escapulir muito mais do que o necessário. Desatar o nó do saquinho do pão? Nem pensar! A sem-paciência faz um buraco no saco e puxa o cacetinho por ali. Não passa margarina no pão, passa o pão no pote da margarina para não ter que pegar uma espátula.
Sua porta da rua não tem muitas trancas, mas, mesmo assim, suas chaves são diferenciadas por cores... É melhor prevenir... Na rua, caminha apressada e cumprimenta os mais chegados com um curto “oi”, às vezes, solta um “bom dia”, mas em hipótese alguma um “tudo bem?”, vá que a pessoa não esteja passando por momentos felizes e harmônicos e resolva se lamentar? A sem-paciência não suportaria tamanho sacrifício.
No trabalho, com a graça divina, lida com máquinas, que, ainda bem, não são providas de sentimentos, não se ofendem e nem se sentem desprezadas. Mas, ás vezes, para não dizer quase sempre, esses seres inanimados levam umas pancadinhas por não andarem na linha.
Mas a sem-paciência também tem seus dias que está um tantinho paciente. Nos feriados chuvosos, por exemplo, em que passa o dia inteirinho na cama, com o celular desligado, portas e janelas trancadas, vendo televisão. Tudo na santa paz do nosso senhor... Até o controle-remoto resolver não funcionar!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A prolixa arte dos apelidos!

Fui comprar um tênis em uma loja da família e ao citar dados para o preenchimento da ficha para a compra, em prestações, claro, meu sobrenome foi substituído por “ do Nado”. Calmem, eu explico: Sou Rita, casada com Leonardo. Leonardo para facilitar virou “Nado”. Logo, eu virei a Rita do Nado. Complicado? Que nada!
Complicado mesmo é o Camarão mandar um recado para o Linguado pelo Borriquete!!! Nada de ficção. Esse episódio foi a mais pura verdade. Essa variedade marinha aí citada são apelidos de alguns conhecidos... Como todos que aqui citarei!!!
E o assunto é este: Apelidos!!!!
Alguns apelidos são auto-explicativos: A Maria que virou ,Mariazinha, a Elisabete que atende por Bete e o José que olha para o lado quando gritam “ Zé”. Mas outros... Misericórdia! Outros são inexplicáveis mesmo!!! O Altair que virou Guega, o Almir que virou Léo (isso mesmo!), o Luciano que virou Muça, o Gaiola que nasceu Orlando...
Outros são herdados pelos laços parentescos: A Farofinha que é filha do Farofa. E alguns são tão fortes, mas tão fortes que são raras as pessoas que conhecem o sujeito pelo próprio nome. É o caso do Zanaga ( que Deus o tenha!), do Baguinha, do Tiote e da Nana que não se dá ao trabalho de esticar os olhos quando mencionam Floriana!
E não deixando de lado aqueles apelidos musicais. Aquelas rimas riquíssimas que nos deixam boaquiabertos com tamanha originalidade: Ana Banana, Zé Mané e, para minha homenagem, Rita Cabrita puxa a cola que ela grita!
Tem magérrimos que são chamados de Gordo até hoje, pois aos seis meses de idade tinham várias dobras nos joelhos. Há a Polaca que nunca pisou na Polônia e é castanha até a raiz dos cabelos. Tem ainda o Bonito que é um raio de feio e o Baiano que só conhece a terra do Nosso Senhor do Bonfim pelo mapa.
Ah!!! Já ia esquecendo dos apelidos também herdados pelos nossos "amigos famosos": Nasceu loiro, deu pra ele: Xuxa pra sempre! É negro e bom de bola??? Pelé. É negro e não joga nada? Agora é Mussum, então!!! Fala pelos cotovelos? Galvão Bueno enquanto não calar a boca... Gosta de uma branquinha? Bob Esponja(calça quadrada)!!!
Apelido é surpreendente mesmo. Ou ele pega e deu para o nome que seus pais demoraram nove meses para escolher ou ele não pega de jeito nenhum e você é mais um simples mortal que atende pelo seu nome próprio. Apelido é o nosso outro eu. Nossa bipolaridade que é descoberta. Sou a Rita do Nado, por não ter tido o privilégio de ter um apelido que se apropriasse de mim, caso tivesse, na minha ficha (aquela da loja da família...) constaria “Rita barra alguma coisa”. Mas isso não significa que estou aceitando sugestões... Ritinha, nem pensar!!!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A GULA!


Teobaldo comia muito. Comia, não... Devorava tudo o que tinha à sua volta. Doce, salgado, azedo, amargo, tudo tinha vez. Passava o dia devorando e à noite roncava como um porco. Certa vez, no meio da noite, além dos habituais havia outros roncos. Os de fome. Teobaldo levantou-se e foi até à cozinha. Lá chegando, encontrou sua esposa em cima da mesa engolindo e sendo engolida. Caiu duro. Teobaldo comia demais, mas não sabia comer.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

As mulheres e as Dez pragas...

E Deus fez o homem. E o homem descobriu o sexo. Do sexo veio a gravidez, nas mulheres é claro! E suas barrigas cresceram e veio a primeira praga: a estria. Cicatrizes brancas, monstruosas aglomeraram-se em locais estratégicos. Pareciam centopéias gigantes. Um horror! Mas em seguida o homem inventou o laser (e o anticoncepcional também!) e tudo foi se resolvendo.
E Deus fez o homem. E o homem fez a Coca-cola. E foi lançada a segunda praga: a celulite. As mulheres viram sua pele transformarem-se verdadeiras crateras. Buracos horrorosos foram surgindo na região dos culotes, coxas e nádegas. Mas em seguida, o homem inventou a drenagem linfática e tudo foi se resolvendo.
E Deus fez o homem. E o homem fez o leite condensado. E foi lançada a terceira praga: a gordura localizada. Praga de enormes proporções, atingiu a região da barriga, quadris e coxas de quase todas as mulheres. Tais regiões foram criando protuberâncias horrendas. Mas em seguida o homem criou o Bio Redux e aos poucos tudo foi se resolvendo.
E Deus fez o homem. E o homem fez o tempo. E do tempo nasceu a ruga. E foi lançada a quarta praga. Linhas profundas amontoadas ao redor dos olhos e no meio da testa foram surgindo nas mulheres. Com o tempo, espalhavam-se que nem erva ruim pelo rosto, pescoço e mãos. A pele murchava como uma uva passa. Catastrófico! Mas o homem manipulou o botóx e tudo foi se resolvendo.
E Deus fez o homem. E por causa do homem ( óbvio!!!) surgiu a preocupação. E da preocupação surgiram os cabelos brancos, que foram considerados a quinta praga. Loiras, ruivas e morenas sofreram ao perderem a cor de seus cabelos. E todas pareciam iguais, sem atrativos. Mas o homem descobriu a Imédia Lóreal e tudo foi se resolvendo.
E quando Deus foi lançar a sexta praga...
-Peraí!!! Isso já ta virando palhaçada, né cara aí de cima?!
-Mas minha filha, esta é apenas a sexta praguinha. São dez...
-Ah...não! Dá um tempinho aí, Papai do Céu! Ameniza um pouco, vai...
E então as mulheres começaram a reclamar muito, muito, muito e Deus, compadecido, inventou a Gisele Bundchen, Carolina Dieckman, Vera Fischer, Ana Paula Arósio, Angelina Jolie, Charlize Theron...
Durante algum tempo, as mulheres ficaram caladas, mas algumas foram percebendo que eram apenas simples mortais se comparadas às beldades então criadas. Com isso, a baderna começou novamente.
-E aí, Papi, como ficamos?
E Deus já de saco cheio com aquela histeria resolveu dar um presente divino a todas as mulheres que tinham sido atingidas pelas cinco pragas (que vamos combinar, valiam por dez!!!). E Deus criou Ivo Pitanguy.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Supermercado: A missão!


Faz parte do nosso cotidiano. Não conheço ninguém que nunca tenha ido ao supermercado, desde ao mais ilustre ser humano ao mais simples mortal ali da esquina. É rotina, não adianta.
Encher o carrinho faz parte da nossa vida; encher, encher, encher é uma hipérbole nos dias em que a crise dos EUA assombrou a todos. Mas voltando para a parte do carrinho... ai meu Deus, até o carrinho estar cheio tem uma maratona pela nossa frente.
A começar por ele mesmo: o carrinho. O abençoado e necessário carrinho. Palmas para o ser humano que teve a brilhante ideia de colocar um cesto de ferro em cima de quatro rodinhas e uma barra colorida para ser segurada. Não é para qualquer um, não! Bom, a maratona é iniciada ao puxarmos o carrinho daquela tripa em que ele está grudado. Isto mesmo, grudado! Até conseguirmos destrancar o carrinho de outros que estão trancados a outros e a outros e a outros (chamarei pelo pai de novo): Meu Deus, é o inicio da lamúria!
Sejamos otimistas. O carrinho foi desengatado dos outros de sua mesma espécie e agora você está livre leve e solta para com toda a malemolência do mundo deslizar naqueles corredores amplos e convidativos... isso até você acordar do seu sonho de supermercado ideal, cara-pálida, pois a rodinha esquerda da frente do seu carro do ano está girando descontroladamente como se estivesse numa terreira. Gira, gira, gira, gira, gira, gira, girou... a grande invenção do homem está girando ainda e você não tem o controle do seu carrinho, vai para a esquerda e ele com toda autonomia que lhe é peculiar vai para a direita, isto se a ré não estiver engatada...
Sejamos otimistas novamente: apareceu uma alma nobre, um funcionário exemplar que com certeza será promovido depois da excelente ação de lhe trazer um co-irmão de seu carrinho, só que este sem o problema de locomoção. Ufa! Seus problemas acabaram, você finalmente irá deslizar como se estivesse na Dança no Gelo do Faustão. Tá certo que este novo carrinho tem uma couve de três dias atrás presa no meio das grades, com um pedaço balançando para fora, mas sem problemas, é só uma pobre couve que foi deserdada. É apenas visual, olhe para o lado, minha amiga, não olhe para a couve. Olhe para o lado e seja feliz!
Mas cuidado, não fique muito distraída deslizando com o seu supercarrinho patinador, pois a qualquer momento seu calcanhar poderá ser uma presa fácil de outro carrinho: o carrinho alheio. O carrinho alheio é o que há. É o que há de trágico para nossas bolhas que aquela sapatilha, ultima moda no São Paulo Fashion Week, nos fez no final de semana. Relaxe. Faça o que a ministra aconselhou e continue as suas compras, mancando ou não, não desista das suas comprinhas!
Corredor vai, corredor vem, um arroz ali, um suco light ali, meio quilo de carne, trezentos gramas de presunto magro e sua ida ao supermercado está correndo tudo dentro da normalidade... quando de repente... Uma pausa: o de repente é o marcador da desgraça, nos melhores contos de Poe; o de repente chega a nos gelar a espinha. Mas voltando: quando de repente passa uma criancinha mimosa puxando aqueles carrinhos-cachorro, inventados nesse tempo de crise, voando por você, lhe dando um bruta empurrão em cima do balcão da louças. Chamarei pelo pai novamente: Meu Deus, cadê a progenitora deste anjo???
E a maratona continua. Fila do pão, fila do açougue, fila para pesar as laranjas, fila, fila, fila, uma pausa para comer uma torradinha com patê, pausa para provar a nova marca de ravióli, outra pausa para o refrigereco que foi recauchutado e querem a todo custo que ele pule para dentro do seu carrinho, uma pausa para responder enquetes, outra pausa para responder que você não quer receber revistas “ de graça” em sua casa. Mais fila, mais fila e mais fila.
Ah, se não fossem estas filas que nos fazem pensar em nossas vidas escutando aquelas musiquinhas laxantes da radio própria do supermercado, nosso bem-estar seria afetado. Escute, sonhe, relaxe, mas não tanto, pois a qualquer momento um carrinho desgovernado, ou não-governado, ou mal governado, poderá atingir o seu outro calcanhar antes de você chegar na última fila: a fila do caixa. Com o perdão da norma culta: Zulivreguardi! Zulivreguardi! Essa não me atrevo a relatar, pois tenho receio que meus instintos mais raivosos sejam aguçados e o teclado do computador, que não tem nada a ver com o pastel, seja levemente prejudicado.
Decididamente haveria de ter sinaleiras nas esquinas dos corredores, deveria ter um guardinha com seu apito estridente tentando resolver o caos no transito... Melhor! Deveria haver CNH para que possamos guiar tranquilamente nossos carrinhos naquele chão escorregadio propositalmente para que andemos vagarosamente e assim compremos mais. Se aprovados fôssemos, maravilha: desengataremos o carrinho da tripa e boa sorte, caso contrário, cestinha vermelhinha para nós e vamos passear no bosque enquanto seu lobo não vem...

Superlativos...


Rita. Metida a professora, metida a leitora, metida a escrever... Metida a metáforas. Metida a superlativos...