quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O verbo "Carpinejar"


E a professora ensina aos seu alunos:

- Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou situação. Os verbos no infinitivo terminam em ar, er, ir...

E exemplos são dados: amar, correr, fugir...

E então a aluna se depara com Carpinejar. E tenta entender que verbo é este. Tenta conjugar. E a professora fala:

- Carpinejar é um substantivo próprio, não pode ser conjugado.Escolhe outro.

Mas a conjugação é feita mesmo assim. E a aluna, munida de ânsias no desafio, tenta extrapolar as regras da Língua Portuguesa e conjuga sentimentalmente o substantivo próprio Carpinejar:

Eu carpinejo sempre que a ousadia e a melancolia moradoras do meu íntimo brigam por quererem me aprisonar.

Carpinejei quando fui tomada por uma ilimitação do ser e sorri pelas graças e desgraças existentes.

Carpinejarei quando eu extrapolar as essências mais loucas habitantes do meu eu.

Carpinejando eu vou, vou encontrando comigo em mim, contigo em ti e , assim, desencaixandos os encaixes.

Carpinejamos. Carpinejaremos. Sempre. Sempre que as amarras se desfizerem e nossas ausências forem alimentadas pelos desejos dos acasos.


-Realmente, caros alunos. Carpinejar é um verbo. Um verbo intransitivo.

Aquele que dispensa qualquer complemento.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Gaúcho???

Sou do tempo em que futebol não era mercantilizado. Não, não é ingenuidade. Eu sei que a mercantilização futebolística sempre existiu, mas não dessa maneira tão potencializada e descarada.
Nesse tempo tão-tão distante, futebol era jogado na rua, com as Havaianas servindo de goleira e todos unidos em prol de um objetivo: o gol. Seja ele em qualquer lado.
Era bonito de se ver. Onde a bola estava, estavam atrás os 22 jogadores (ou quantos o espaço permitisse), sem posições, apenas limitados pelo próximo muro ou cerca... Os sem-camisa contra os de camisa. Guri contra guria. Futebol era festa.Os craques nasciam assim, no meio do campinho de areia e não eram programados desde os primeiros passinhos a idolatrarem o futebol europeu e a se especializarem em dribles e passes nas escolinhas de formação de futuros Messis.
Fiquei reflexiva quanto a este assunto, devido à novela Ronaldinho- Assis-Grêmio-Milan-Flamengo que protagonizou cenas picantes (e impróprias para apaixonados e bairristas) da super indústria do futebol. Não existe mais raça. Cada suor na camisa vale milhões. Cada gol é um dígito a mais à direita.
Não entendo nada de futebol e se o David Coimbra, o Falcão ou o Paulo Santanna lerem isso, têm a minha permissão para debocharem muito com requintes de autoridade. Mas, me submeto a esta escrita sem teóricos e nem teorias porque ainda defendo o futebol com paixão, com raça, com tesão.
E para isso, Paulo Odone, temos que trazer Gaúchos pro Grêmio.Gaúchos da Bahia. Gaúchos de Mato Grosso. Gaúchos de Coimbra. Gaúchos da África. Gaúchos de qualquer canto do mundo.Gaúchos com G maiúsculo e não apenas aqueles que incorporaram este adjetivo pátrio ao nome para se servirem de todas as façanhas que nós trazemos de modelo à toda terra.
Porque ser gaúcho não é naturalidade. Ser gaúcho é opção.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Prefiro o cheiro forte...

Não, ninguém morreu. Não tenho seis meses de vida. Nem esta é uma carta de despedida. Mas resolvi escrever sobre a morte. O porquê eu não sei, mas a vontade de mandar a morte pra bem longe bateu e eu resolvi reverter na escrita.
A morte é totalmente patética, ridícula, insensata.
As gavetas estão todas lá, com as calcinhas desarrumadas e as meias com um pé só, esperando uma arrumação. A conta já venceu e espera ser paga. O convite da festa do final de semana foi comprado. O churrasco de domingo foi programado. Ainda faltam 20 prestações do carro a serem pagas. A reunião foi marcada para a próxima quarta-feira. E a previsão do tempo para o final de semana é sol e 35 graus.
E a morte chega. Sem aviso. Invasiva. Desumana. Rompendo com a programação, desalinhando os objetivos, desargonizando as ideias.
É uma pegadinha do Gugu? Quem teve essa ideia?
A roupa ficou na corda e a ração pro cachorro nem foi comprada. Ainda tem anticoncepcional pra três meses e as sessões de bronzeamento estão na metade.A sandália seria estreada na sexta, a manicure é no sábado às três e meia e a dissertação está quase pronta. E acaba tudo.
É tão incoerente, a passagem é só de ida, mas nada é meticulosamente programado.Não se avisam as pessoas que a roupa precisa ser recolhida...
Sei que a morte é a coisa mais certa que existe e que a imortalidade desfaz a ordem natural da vida, mas morrer chega ser uma piada, só que sem graça nenhuma, sem plateia pra rir, sem pedido de bis.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O astral, a Bel e o Carpinejar!

Se existe uma coisa em que eu acredito é no astral. No astral mesmo, no sentido mais abstrato possível. Naquela coisa que paira em todo lugar.
Tenho antipatia astral por algumas pessoas. A pessoa, coitada, apenas nasceu pra que passe a abominá-la. Não, a culpa não é da minha inscontância e insensatez, é do astral.
Mas também além de simpatia astral, tenho paixão astral. Quer um exemplo??? A Bel, minha amiga! Por mais que ela diga que também me achasse meio assim como metade do planeta (antipatia astral, viram???) eu sempre fui apaixonada por ela. Não, nada de sequisso. Nossa paixão (porque agora ela me corresponde!!!) é no plano astral, é algo que transcende a concretude. Não, não estou na famosa pedra.
Vou provar: Hoje eu estava lendo Carpinejar. Fabrício Carpinejar. Um escritor gaúcho que tem uma sensibilidade incrível aliada a uma ironia esplendida transformadas em palavras. Bom, peguei uma frase em especial, imprimi e coloquei no meu mural. Ao entrar no orkut, a Bel estava com a mesma frase em seu perfil. Chamei a Bel, via fofocar instântaneo, de canto e reafirmamos o nosso encantamento intelectual-astral.
Carpinejando, então," Liberdade na vida é ter um amor pra se prender" e um umbigo pra meter o dedo*, não é Bel???


P.S: Esse dedo não meu, né Ric?!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Meio assim???

Em uma revelação de amigo secreto, dentre outras coisas, fui definida como:
- Quando eu a conheci, achei que ela era meio assim...
Se eu caí dura???? Quase! Se não fosse a minha educação britânica eu faria um bafão mermão!
Meio assim???? Nem há concretude nesta definição. Então fui às vias de fato e perguntei:
- Como meio assim???
E a resposta foi:
- Assim meio metida, meio superior.
Bom, pausa para um surto.
E a plateia que assistia a tudo continuou:
- Pois é, eu também achava no início.
- Foi só no inicinho...
- Tu não foi receptiva a mim também...
Quem me conhece imagina a caradicu que eu fiquei.
E eu estava quase sendo apedrejada verbalmente. E o pior de tudo: Todaaaaas tinham a mesma impressão a respeito da minha loira e linda pessoa.
Depois de ficar enlouquecida tentando arranjar um advogado de defesa que me absolvesse daquelas calúnias, fiquei pensativa... Eu não sou meio assim... Quer ver?
Sou previsível, estou dentro das estatísticas. Não sou dotada de massa cinzenta a mais e minha altura é a média entre as mulheres. Calço 35, pé dentro da normalidade e meu peso não falo nem por decreto da Dilma (outra super normalidade!). Brinquei de Barbie e sonhava com os New Kids On The Block... Uso gloss, sou loira, mas apimento mais o meu DNA. Sou branca e sonho com um dourado da cor do pecado. Tenho mais bunda do que peito, como toda brasileira, dentes em busca de alinhamento e olheiras de Panda. Uso óculos. Perco celulares. Sou quase sensata. Um pouco perdida. Sorrio fácil, mas pra quem merece. Choro fácil, pra quem merece também. Tenho sonhos e devaneios. Tenho febre e tomo Tylenol. Tenho cólica e tomo Ponstan. Tenho crises e não tomo Fluoxetina. Uso saruel, mochila e quero um Ipad. Uma Eco Sport preta me satisfaz, mas um MotoBoy resolve os meus problemas. Quero um analista, mas ele não tem IPE. Quero entrar em uma Levis 514 guardada desde o século passado, mas falta jeans. Sou fiel a perfumes.Bolsas me seduzem e filmes me encantam.

Não vou iniciar uma conversa com um desconhecido dizendo:"- Muito Prazer eu sou legal!", mas também não quero ser esta personagem que insiste em me rodear.
E se um dia você também me achar meio assim, me traz um quindim que deixarei de ser esta persona non grata fugida do paraíso.

E dois 1.000 e onze...

Sabemos que é cultural essa história de Ano Novo Vida Nova, temos a consciência que alguns fogos de artifício e uma euforia coletiva não dividem um antes e um depois. Sabemos que se não fossem os egípcios e suas mentes brilhantes em dividir em pedaços o tempo, nada disso seria tão onírico e estimulante. Não somos nada ingênuos.

Mas vale desejar... Desejar em doze suaves meses tudo de mais e menos...

Mais amor, mais dinheiro, mais união, mais interesse, mais comprometimento.
Menos fome, menos miséria, menos violência, menos corrupção.
Mais arte, mais concretude, mais fatos, mais ousadia, mais liberdade.
Menos limites, menos mágoas, menos estupidez, menos insensatez.
Mais coragem, mais ânsia, mais sorrisos, mais paixões, mais encontros.
Menos saudade, menos dor, menos antagonismos, menos perdas...

Tudo de mais sempre... Tudo de menos também!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O tempo tem que voltar

Queria escrever sobre a morte. Sobre o quão maldosa e desnecessária ela é. Sobre o quão inútil e devastadora ela é. Mas não deu.
A escrita se deu tensa, com raiva, com rancor, com mágoa... tudo de ruim misturado e expressado em letras, palavras, frases... Não foi bom.
Então resolvi escrever sobre o tempo. O tempo tão poetizado por Quintana. O tempo que é a coisa mais democrática que existe: ele vem igual pra todos, sem distinção.
O tempo vem... E o tempo volta.
Volta, sim, com o perdão a todos aqueles que acreditam no contrário.
Ele volta no cheiro, na música, no gosto.
Ele volta nas imagens, nas vontades e nas sensibilidades.
Ele volta na poesia, na fotografia e, até, na agonia.
O tempo volta, sim.
O que não volta são as ações, mas as emoções voltam a todo instante. Num simples lembrar, num simples ver, num simples piscar, num simples ser...

Tentei, Mariel, te "ter" em uma escrita minha. Mas creio que tua luz e tua alegria não mereciam uma escrita carregada de descrenças e interrogações. Então, tentei esboçar algo sobre o tempo, pra acreditar que ele volta. E com ele, a tua presença. O teu sorriso. O teu viver. O teu ser.
Pra não precisar te reinventar, o tempo tem que voltar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Acordar pra dentro

Uma das frases que ouvimos muito, em tom de conselho, é Acorda pra Vida. Uma frase simples e carregada das melhores intenções para que vivamos de uma maneira mais viva, com a redundância a todo vapor. Um convite à vida no sentido mais esfuziante possível. Não há como dizermos não a um conselho destes...
Mas, muitas vezes, existem pessoas que acordam tanto para a vida que esquecem de acordar para dentro. Esquecem que não precisam estar o tempo inteiro numa aventura alucinante de adrenalina intensiva, basta apenas acordarem para dentro e verem o que realmente necessitam para que a vida seja, digamos, mais cheia de sentido.
Dá um certo medo em olharmos realmente para as nossas dores e delícias sem termos que estar com um sorriso no rosto e esbanjando simpatia (Salve Jorge!). Um receio em concluirmos que o que basta para estarmos em paz com o nosso eu é pouca coisa, é simples, é inodoro e não precisa estar estampado na nossa prepotente autossuficiência.
Acordar pra dentro é necessário. É eficaz. É de graça. Não aceita cartões. É apenas um diálogo do eu com o eu mesmo.
Definir como difícil, talvez, seja a escolha mais coerente... Deve ser por isso que muitas pessoas, inclusive Lispector, preferem uma verdade inventada a não terem que cortar defeitos que seguram o edifício inteiro.

domingo, 17 de outubro de 2010

Alegria Alegria

E ganhei o Oscar da Alegria.
Numa dinâmica realizada no dia do professor fui contemplada como a pessoa mais alegre da escola. Cheia de sorrisos, saltitante e serelepe recebi meu prêmio.
Realmente, sou alegre. Sou muito alegre. Rio da vida. Gargalho do inesperado. Faço piada com o destino. Sorrio com a boca, com os olhos e com os cabelos.
Sem deixar o mérito de Miss Alegria-Alegria, tenho algumas considerações sobre eu ter ganho este prêmio.
Ganhei o Oscar da Alegria porque vivemos num mundo em que a moda agora é ser triste e anunciar essa tristeza. A tristeza dá ibope, gera buxixos, especulações, conversas. Um sorriso estampado no rosto não comove ninguém, não gera rótulos, não emite opiniões, não é capa da Contigo, não vende, não gera capital...
Prozac no almoço e Fluoxetina no jantar são os hits do momento. Sem um faixa preta no armarinho do banheiro? Minha cara em que mundo vocè está vivendo??? Vá logo no psiquiatra fazer parte desta galáxia.
Ganhei o Oscar da Alegria não por ser hipócrita em um mundo que clama pela tristeza enaltecida. Ganhei porque ainda sou do tempo antigo. O tempo em que a tristeza se resumia ao choro escondido na hora de cortar cebola, a tristeza emergida na hora do banho, a tristeza comedida, a tristeza que o Bonner não anuncia.
Sou do tempo da tristeza autista. Da tristeza egoísta que não precisa ser compartilhada com terceiros.
Sou do tempo da tristeza só minha e de mais ninguém... quando muito do travesseiro.

domingo, 10 de outubro de 2010

A temporalidade do amor

Assisti ao filme Novidades no Amor com Catherine Zetta-Jones e Justin Bartha e cheguei à conclusão de que há tempo para o amor.
O amor é temporal. Não no sentido cíclico de um começo, um meio e um fim, mas no sentido de que quando não é a hora, nada feito.
No filme, Zetta-Jones é recém divorciada e encontra aconchego nos braços do babá de seus filhos, Bartha. O xis da questão é a diferença de idade: ela com 40 anos e ele com 25. A diferença de idade não é discutida no filme e nem elencada o suficiente para o tema ser o preconceito. O que é evidenciado é a lacuna de experiências oriundas da idade. O amor se fez. Mas não bastou. Ele nao tinha vivências suficientes para adentrar no universo dela.
Ele era aquém e nada tinha haver com idade, mas sim com espaços de tempos.
Alguns anos se passam e a diferença de idade, é claro, continua a mesma: 15 anos, mas a diferença de emoções vividas praticamente se iguala e então a relação se concretiza.
E o amor é assim. Pode explodir em grau 9 na escala Ritcher, mas na semana anterior, na semana seguinte, no ano passado, em tempo errado, em momento inoportuno. O amor é temporal porque não só do amor se mantém as relações...
E então é rímel escorrido na certa.

sábado, 9 de outubro de 2010

O fantástico mundo On Line

Sabe o que mais me encanta neste mundo virtual? A capacidade de controle de nossas imagens. Somos senhoras de nossas aparências e só deixamos à mercê o que queremos deixar. Nos photoshopamos, editamos, selecionamos, somos sorridentes ao extremos e felizes à décima potência. Nossos cabelos são esvoaçantes, temos blush natural, nossas unhas sempre bem feitas e nossas vidas uma grande festa regada a energético.
Faxina? Ninguém faz. Empréstimo? Também não. Raxar a gasolina? Psssiii, não comenta.
Escolhemos partes de nossas vidas que merecem páginas de uma biografia e as superlativizamos positivamente. Nos evidenciamos em frases através de outros. Indecisas e instrospectivas? Solicitamos Lispector. Um pouco solícitas à paixão? Neruda na tela. Nostálgicas? Nando Reis nos quebra este galho.
Gritamos aos quatro cantos do mundo o nosso sentimento, nossa vontade e nossa insensatez sem sermos objetivas. A subjetividade é nossa aliada no mundo virtual.
E isso me encanta...Nada de mais em potencializarmos as vitórias e deixarmos de fora as derrotas. O problema é supervalorizarmos a nossa vida on e esquecermos que a vida que merece ser bem editada mesmo é aquela que temos quando estamos off.

O futuro não é mais como era antigamente

Certa vez no aniversário da escola, há 15 anos, todos os alunos participaram da Cápsula do Tempo. Explico: A escola estava fazendo aniversário e pediu que os alunos escrevessem sobre suas perspectivas profissionais de futuro em 15 anos. Escrevemos, guardamos na cápsula e esta foi enterrada.
Bom, a questão é que fiquei sabendo que a cápsula do tempo será aberta e então um sentimento estranho adentrou em minha aura de diva. O porquê? Não lembro das minhas perspectivas. Não lembro o que eu queria há 15 anos. Tenho medo de não ter correspondido às minhas próprias expectativas.
Não quero me decepcionar, mas com certeza não escrevi que em 15 anos o que eu faria de mais delirante seria um memorando circular ou um ofício pedindo verbas para quebrar paredes e fechar duas portas. Que minha adrenalina estaria em seu auge quando eu descobrisse assassinos em filmes de serial killers e até lesse sobre eles para descobir mais assassinos nos próximos filmes. Que minha boa ação mais notável foi participar de um projeto cujos custos foram todos pagos e minha estadia foi regada à temperatura permitida por mim. Que o Prêmio Nobel que deixei para o meu país foi trabalhar nas eleições. Que o que mais faço hoje é explicar que o trema não se usa mais e que as regras do hífem mudaram completamente. Que meu momento mais famoso foi quando apareci no Jornal do Almoço da minha cidade.
Não escrevi nada disso, não... Com certeza, em minhas expectativas algo como Hollywood ou Pentágono estariam presentes.
Percebo que o que há de mais cruel é termos que olhar pra trás e vermos que nossos planos perfeitos de realizações superlativamente fantásticas não se concretizaram. E que o futuro não é mais como era antigamente...
E quanto à Cápsula? Não apareço lá, nem a pau, Juvenal.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Da obediência do papel de ser

Não vejo cores que não combinam.
As cores que vejo se entrelaçam nas combinações dos tons.
Uma assegura a outra, define, sinaliza, entranha.
Não vejo cores que não combinam.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Punhos de aço

Como sou uma superhipermega amiga softplus preocupada com o bem estar das amigas, mandei uma msg via celular a uma amigonérrima (entendeu o nome do blog?) pra saber como ela estava, após, digamos, um dia um tanto quanto very bad. Ela me respondeu que estava bem e que ainda não tinha cortado os pulsos. Diante disso, respondo à ela:
Amiga,
corta o cabelo,
corta a franja,
corta os carboidratos,
corta o refrigerante,
corta o óleo de soja,
corta o bauru,
corta a barra da minissaia,
corta o limite do banco,
corta as unhas,
corta o cartão de crédito,
corta a mesada do filho,
corta relações;
corta o macarrão,
corta a ração do cachorro,
corta até a alça do sutiã...
Mas os pulsos não corta, por favor, deixa-os intactos para ter mais força no punho.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Primeiro a gente foge, depois a gente vê...

Já falei aqui que tenho uma musa inspiradora, não é?
Nossas conversas rendem textos, dissertações e teses, sempre baseadas nas nossas vivências, pertinências e até divergências. E hoje não é diferente.
Conversamos sobre relações pessoais. Vida. Convivência. Decência. Obediência. Sonolência.
E nossa pauta era a questão de término de relacionamentos e suas consequências quando este há a volta. Consequências nos outros envolvidos, ou seja, nos coadjuvantes da trama mexicana.
Relacionamento terminado. Família reunida pra decidir o futuro do país.
- Ele errou.
- Não, ela que foi mimada.
- Ele é sem noção da realidade.
- Mas ela pediu...
E daí os churrascos de domingo se tornam o Porgrama da Marcia Gold Alguma Coisa.
Palpites. Declarações. Maldições. Especulações. Demolições. Emoções.
O que conversávamos ao som de "dá uma fugidinha com você" é que quando os relacionamentos são desfeitos e envolvemos terceiros, quartos e quintos, envolvemos estas pessoas também na raiva momentânea que está saltando pelos nossos poros. Envolvemos estas pessoas com nossos desesperos emocionais que são apagados na hora em que a saudade bate à porta.
Nossa raiva é amenizada por histórias, momentos, vivências e eloquências... que as outras pessoas não têm. Não têm porque não passaram por situações que apenas o casal se permitiu sentir, sofrer, experimentar.
Resultado: nossas raivas passam, a raiva alheia continua, porque os outros são os outros e só (plágio?).
Nosso papo maduro sobre estas relações acabou como sempre acaba. Sem uma conclusão sobre um certo e um errado. Um sim e um não. Um agora e um depois. Sem nada definido.
Mas acabou com uma bela frase de efeito que, no caso, foi o meu (des) conselho: "Primeiro a gente foge, depois a gente vê."

domingo, 15 de agosto de 2010

Classificados Poéticos

Como rosa chiclete é piada do ano passado, digo a vocês que fiquei cinza astronauta quando li uma postagem nos classificados do Jornal Agora. Sente só:

PROCURO um Namorado rico p/ me ajudar financeiramente, se vc tiver interesse me ligue, tenho 33 anos e procuro homens entre 45 e 55 anos. Ligue p/ manhã ou p/ noite p/ meu tel. residencial. 3230.xx xx

O queixo caiu? Em mim caiu até a gengiva!
Depois de gargalhar como uma louca, fiquei pensando no que significa isso, assim, nas entrelinhas.
Sim, quem sabe ler percebeu que a moçoila quer alguém que pague suas dívidas. Claro, pois só quem tá entupidaça de dívidas é capaz de chegar ao extremo de colocar um anúncio deste. Mas para além da conta bancária negativa da pobretona, o que tá em questão aí é como as pessoas resolvem os seus problemas hoje em dia.
Ou melhor, as pessoas não resolvem os seus problemas, as pessoas esperam que outras resolvam os seus problemas. O outro que tem que atuar para que ela possa tirar o pé do buraco.
Quando li a primeira vez o anúncio (li vááááárias até acreditar), interpretei a desesperada como super sincera. Mas depois, acho que não é este o adjetivo mais apropriado. Acredito que acomodada seja a melhor opção.
Acomodada, pois depende dos outros para que a sua situação se resolva. Acomodada, pois não pretende ir em busca da bufunfa que precisa pra tirar o nome do SPC por meio do trabalho. Acomodada, pois dispensa ir em busca do amor e da felicidade realista. Acomodada, sim, pois é mais fácil que alguém ligue com as soluções de sua crise financeira e pessoal prontas, do que ela ir guerrear.
Se ela fosse super sincera como a julguei na primeira lida, sua postagem nos Classificados ficaria assim:
Acomodada de 33 anos na cara quer alguém que assine um cheque e resolva suas pendengas financeiras. De troco, oferece o que um "namoro" pode oferecer. Se vc tiver interesse em ser um otário, ligue.

Então tá.

sábado, 14 de agosto de 2010

Do tempo

Meu filho estava assistindo a Turma da Mônica na televisão quando eu passei e disse: Adooooro!
Ele me olhou e disse: Era do teu tempo?
Em dez segundos, algumas filosofias botequianas tomaram conta de mim.
Pensei: Era do meu tempo? Por que era e não é?
Achei estranha esta colocação, mas pensei que todos emitem esta frase simples, mas carregada de intenções. Só que eu nunca tinha pensado na bagagem que ela carrega.
Por que temos que ter um tempo determinado? Pronto, meu tempo era aquele, agora não é mais. Adeus.
Peraí, meu coração bate, meu pavio é curto, salivo com quindins, planejo o futuro e meu tempo já passou? Como assim? Quem estabeleceu que um determinado momento da minha vida era o tempo de minhas produções, de minhas diversões, de minhas palavras e de meus atos e agora não é mais porque novas pessoas estão construindo suas identidades e demarcando seus espaços?
A Turma da Mônica não era do meu tempo. A Turma da Mônica é do meu tempo. Porque o meu tempo é agora.
Ainda não fui silenciada. Ainda sei dançar. Ainda bato um bolão. Ainda canto no chuveiro.
Ainda tenho medo. Ainda incomodo. Ainda tenho ataques. Ainda grito de raiva.
Ainda amo. Ainda me emociono com novelas. Ainda uso Renew. Ainda faço tudo errado.
Meu tempo é este.
Até que a morte nos separe.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Lost


Pelas minhas travessias no mundo virtual, encontrei esta notícia:
"Casal de nigerianos tem filha loira de olhos azuis"
Bom, nas nossas mentes absurdamente poluídas já passou a ideia de uma super escapadela da mãe da criança com o Brad Pitt, não é mesmo?
Nada disso. Se a mãe da criança pulou a cerca, não deixou rastros, pois a criança linda e loira é filha do papai e da mamãe nigerianos, segundo o teste de DNA.
Então, fica a questão:
Se até a genética tá perdida, por que cobram que eu me encontre?
Tsc, tsc, tsc...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Conjutivite Mental

1)

Se entre o sim e o não, o talvez for a opção...
Se entre a loucura e a lucidez, o equilíbrio for a resposta certa...
Se entre o sussurro e o grito a combinação de ambos for necessária...
Desculpe, desça na próxima estação que você pegou o bonde andando.

E nem quis a janelinha.



2)

Te ofereço por uma hora ser eu.
E depois te pergunto:
Existe definição de mim no dicionário?


3)

Sou a versão do erro que deu certo.

Da Tati Bernardi e nosso bom senso em comum!

Fui apresentada à Tati Bernardi. Fiquei apaixonada. Ela é apaixonante com sua escrita franca e original.
E então, após o fogo inicial, fui saber um pouco mais desta minha mais nova paixão. E a medida em que eu estava desbravando suas linhas e entrelinhas, me deparo com esta frase {que quem me conhece, sabe que também é minha} :
MUNIDA DE CORAGEM ASSUMO: NUNCA FUMEI MACONHA E NEM FIQUEI BÊBADA.
Nossa! Atônita, eu li novamente e não conseguia entender que alguém além de mim pudesse repetir esta frase! Não, e não apenas repetir a frase... alguém além de mim, pudesse ter exercido a veracidade dos fatos!
Eu não era a única. Éramos eu e a Tati.
Percebi que minha paixão à primeira lida tivera fundamento. Minha paixão à primeira lida tinha algo de simpatia astral...
Após esta descoberta fenomenal, fiquei pensando... E algum dia eu tivesse fumado maconha e ficado bêbada??? E elaborei algumas hipóteses.... Prováveis hipóteses...
Bom, se eu tivesse fumado maconha, eu seria fedorenta, porque maconha, meu irmão, fede muito. Em primeiro lugar, teria que ser uma maconha industrializada, porque essa história de enrolar ervinha em palhinha e dar uma lambidinha não é nada glamouroso. E vamos combinar: eu sou glamourosa.
Assim, suponhamos que eu conseguisse uma maconha industrializada. Isso mesmo, conseguisse, porque com o preço da maconha eu compraria um Chokito.
Tá bem, não comprei o Chokito e consegui minha maconha industrializada: eu teria que fazer aquela careta e aquele barulhinho com a boca tipo o apito do trem? Não iria conseguir. A careta até que sim, sou mestre na arte facial, mas o barulhinho... Nada feito.
Simbora pra ficar bêbada, porque a maconha não combina com meu estilo linda, loira, estilosa e glamourosa.
Cerveja, não obrigada. É amarga. Pode ser a tal da Patrícia, a Bohemia, pode ser a mais elaborada com o malte cem por cento escocês (heim?) que não passa.
Passamos para a cachaça, ahhhh, a legítima cachaça. É incolor demais. Além de ser tomada num talagaço só pede também uma batida com o copinho no balcão do buteco. Alguém aqui me imagina no balcão do buteco? Obrigada.
Partimos para a tão famosa "Virgem": Leite condensado, leite de coco, vodka, gelo e canela. Vem canela? Não obrigada, mamãe me fez alérgica.
Smirnoff Ice? Bem bonzinho, docinho. Mas, por favor, me traz uma Sprit que dá no mesmo.

Não consegui nem imaginar os atos, quanto mais as consequências deles.
Literalmente, quando se é, assim, uma lady européia, a falta de classe nunca nos cabe, né Tati?

E que ninguém pense ao contrário, se não a porrada come, mermão!