domingo, 18 de julho de 2010

Julia e Patrick e seus casamentos

E hoje vi uma comédia romântica, dessas que a gente quase se truicida de inveja depois de ver, que me fez ficar pensando sobre realmente qual o valor de nós mulheres no mercado. Mercado foi boa... bem capitalista, mas acredito que seja o ideal para este texto.
Bom, o nome do filme é O melhor amigo da noiva, com o fantástico Patrick Dempsey (que sou apaixonada desde que ele fez Namorada de aluguel em 1.346 a.c.). Então, o filme não passa de uma mímese de O casamento do meu melhor amigo, com Julia Roberts. Lembram?
Contextualizando...
Julia Roberts tem um amigo de bilhões de anos e ele vai casar, ela é madrinha e descobre que o ama e sempre o amou e quer acabar com o felizes para sempre. Patrick Dempsey tem uma amiga de bilhões de anos que vai casar, ele é a "madrinha", e descobre que a ama e sempre a amou e também quer acabar com o felizes para sempre. Tudo igual? Não, cara pálida.
Julia se deu mal na história e ficou sozinha ao som de I say you little prayer for you e Patrick conseguiu fazer com que a amiga deixasse seu noivo no altar para viver feliz para sempre com ele.
Minha humilde limitação vendo esses dois filmes é: Por que ela não conseguiu? Por que ele conseguiu? Por que o tempo não foi perdido quando ele percebeu que amava a sua amiga e para ela o tempo tinha se limitado?
Por que em nossa sociedade, nós mulheres, por mais que lutemos, busquemos, ousemos e arrisquemos não temos o nosso final feliz como esperado? Por que precisamos ser passivas como as princesas dos Contos de Fadas para que algo dê certo somente com a atuação de outro sujeito sobre nós?
Julia lutou em seu filme. Patrick também. A diferença foi o tempo. O tempo não foi perdido para ele. Para ela sim. Precisamos de mais tempo que os homens, vivemos em sintonias diferentes, contextos diferentes que nos separam, demarcam e rotulam demasiadamente.
Se somos vaidosas, somos frescas. Se não somos vaidosas, somos desleixadas. Se gritamos somos histéricas, se calamos: insensíveis. Se lutamos, somos mais macho que muito homem. Se não, somos acomodadas. Se temos ambições e não temos filhos: um horror. Se temos ambições e temos filhos: um horror assim mesmo.
Não temos muitas saídas. Game over pra Julia. Felicidades ao Patrick.



I Can't Get No

Eu estava assistindo notícias sobre o caso goleiro-assassino num programa que aqui chamarei de O papa é Pop (desculpe, Humberto!) cuja apresentadora chamarei de Lulu Jagger (!!!).
Eis que neste programa é anunciado como exclusividade mais exclusiva do mundo dos exclusivos o pai da Elisa Samudio. Como toda telespectadora sedenta por informações a respeito do caso, fiquei atenta.
Lulu Jagger começa a entrevista passando as mãos em seus cabelos de uma maneira quase que descontrolada, revirando-os de um lado para o outro e tentando uma crônica sobre o mundo injusto e violento a la Bial. Bom, a crônica se perdeu no meio do caminho e ela não conseguia dizer mais nada, apenas que o mundo era violento. Quase chamou os comerciais, forjando um choro. Uó.
Logo mais, Lulu Jagger senta a frente do pai de Elisa Samudio e este diz que a criou sozinho, que a mãe era muito nova, foi viver a sua vida, blábláblá. Lulu Jagger, centrada, lembrando o que estudou no curso de Comunicação Social (???) para começar a puxar sensacionalismo.
Papo vem, papo, vem. Isso mesmo, gente, era um papo descontraído. De repente começa as passar algumas fotos da vítima, umas três ou quatro pois o book era limitado e Lulu Jagger fala da beleza da moçoila.
O pai diz que ela tinha um sonho de ser manequim e Lulu Jagger não se controla e diz:
- Não, manequim, não, ela era muito baixinha. O máximo poderia ser um modelo fotográfico.
O pai diz, meio sem jeito:
- É, ela tinha esse sonho de ser famosa nas passarelas...
E Lulu Jagger:
- Não, não, ela poderia ser atriz, então se quisesse ser famosa.
Nossa. Não me controlei e impedida de pular no pescoço girafales de Lulu Jagger, apenas troquei de canal.
Não acreditei em tamanha aberração que se tornou uma entrevista que poderia ser bem sugada, bem articulada, bem administrada.Lulu Jagger não soube tirar o que aquele pai sofrido, mas com esperanças ainda, pudesse dar. Não por audiência, mas por respeito aos telespectadores, que, acredito, não estão nem aí pra altura de Elisa Samudio.
Fiquei pensando na Marília Gabriela encarando aquele homem e com meias palavras fazendo com que ele se abrisse e clamasse por justiça.
É nessas horas que vemos a diferença entre jornalistas e macacos de auditórios.
I can't get no pra Lulu Jagger.




quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lady Gaga Mais ou Menos

Fui chamada de Lady Gaga. Não pela minha performance musical, mas pela minha aparência, branca, loira, lisa, esquálida (heim?). Tomei como uma motivação à mudança.
Cabeleireiro, aí vou eu! Escurece, hidrata e repiiiiicaaaaa, repiiiicaaaa muito. E repicou. Nossa, perdi muitos quilos dos meus lindos fios loiros. Fiquei fashion, mais nova e mais magra (na opinião das minhas amigas especialistas!!!). Mudei.
Achei que o mundo mudaria também, mas o máximo que mudou foi minha aura de diva que ficou mais diva ainda, para o desespero de quem não me gusta muito (dá licença: hahahahaha).
Conversando com minha amiga Bel, que muito me xinga, me inspira, me sacode a poeira e me dá a volta por cima, dialogamos filosoficamente sobre a vida mais ou menos.
- E aí cabeçona, como vão as coisas?
- Tuda na mesma, mais ou menos, disse a Bel.
E a partir desta frasezinha, começamos enlouquecidamente a reclamar da vida, a querermos o desespero dos adolescentes, mas com a nossa independência e sabedoria de hoje que temos 59 anos (cuma?). Começamos a querer uma Disney dentro de nós e discordar do Cazuza que pedia a sorte de um amor tranquilo. Nós, não, nós queremos o exagero de estarmos jogadas aos pés.
E o que isso tem a ver com minha versão quase 3.0, repicada???? Chegamos a conclusão de que o mais fácil de ser mudado é o cabelo. Não que mudamos com ele, nada disso, mas a sensação momentânea de ter aquele problema da Lady Gaga resolvido foi demais. O cabeleireiro é o psicólogo imediatista. Nada de sessões longas e sucessivas. Repiiica tudo que resolve.
E depois? E depois os problemas voltam, as raízes voltam, as pontas duplas voltam. Mas e daí? Eu tenho a Bel pra reclamar comigo....

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sem título.

Faz um tempo que não escrevo nada. Os motivos são os mesmos de sempre, a falta de tempo em escrever algo com substância. Pensei em escrever sobre a Copa do Mundo e toda a Capa que ela trazia, mas acreditei que pudesse cair no senso comum de criticar aqueles que juntam dinheiro para comprar uma televisão duzentas e quinze polegadas pra ver as pedaladas do Robinho. Ou até mesmo, dar uma de técnica e ensinar ao Dunga com quantos gansos se faz uma seleção.
Então, decidi não escrever.
Mas acontecimentos, não da Copa do Mundo, mas que têm algo a ver com ela, me fizeram pensar na sociedade cretina em que a gente vive. Cretina. E bota cretina nisso.
O que me trouxe mais indignada do que nunca é o assassinato da mãe do filho do goleiro -assassino-inescrupuloso-psicopata Bruno. Ou a ex-amante, como a Rede Globo costuma mencionar esta mulher, mãe que teve o azar de cruzar com este psicopata. Mas não quero aqui julgar o que este imbecil fez, até porque espero que a justiça o faça e bem feito... Ou se a justiça não o fizer, que na prisão alguém faça o favor de cortar este estrume em pedaços e dar pros cachorros comer. O que quero aqui é deixar claro e minha repugnância com que a Rede Globo está tratando este caso.
"Um futuro promissor na Copa de 2014" foi uma frase dita por um dos apresentadores desta emissora. Nossa! O assassino acabou com a vida de uma mulher por causa de dez mil reais em sua bolada de 500 por mês e ainda o mencionam desta forma? E o futuro desta mulher que nem sequer um enterro pode ter, já que seus restos foram concretados? Mas a que sociedade pertencemos, meu Deus, que mesmo diante de um crime desta crueldade ainda elenca a perda de um goleiro para o futebol?
Eu não sei mais que valores estamos absorvendo a cada vez que somos "abençoados" por frases como esta citada na Rede Globo. Eu não sei mais a que valores somos imbutidos a cada vez que um telejornal passa 3/4 de sua apresentação mostrando a jabulane dos infernos e esquecendo que quando o juiz apita a fome continua na África, no Haiti, no Nordeste e aqui na esquina.
Acho que o que me trouxe até aqui, não foi só esse assassinato com requintes de crueldade protagonizado pelo goleiro de um dos maiores times do Brasil, o que me trouxe até aqui foi a sensação de impotência frente a tudo o que acontece ao nosso redor e que nem ao menos percebemos, pois estamos atentos à ridícula voz do Cid Moreira dizendo Jabulaaaaane.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quem canta seus vizinhos espanta!

Assim, sempre me disseram que eu era uma pessoa suuuuper simpática. Minha mãe me educou na Inglaterra e inspirei uma das princesas da Disney a serem princesas. Uma lady, caros leitores. Entretanto, minha mãe não me ensinou a ter paciência com vizinhos. Nossa! Tenho problemas com esta questão.
Sabe aquela coisa de xícara de açúcar e dois ovos? Odeeeeeio. Explicação? Nenhuma isso requer, furtando a frase do meu amigo Nando.
Mas até aí tudo bem. É algo como antipatia astral, sabe? Não tem nada a ver com as pessoas em si, mas com o "cargo" que é atribuído a elas - vizinho.
Mas, ultimamente, tenho me estressado very very very bastante com minha vizinha que veio da Terra do X e do R (Sabex merrrrmo do que falo???). Nunca me estressei assim de bafão ao vivo, me estresso no meu próprio eu, porque , lembrem... uma princesa da Disney... mas estou prestes a virar a princesa do castelo do c*%$###!!!
Minha vizinha da Terra do X e do R levou muito a sério o ditado quem canta seus males espanta. Mas, zulivreguardi, quem canta daquele jeito chama todos os obsessores pra volta.JustificarEla canta Renata Ingrata e ainda faz eco... Renata, ingrata, trocou o meu amor, por uma ilusão ão ão ão... Dói, dói muito. Ela consegue fazer a voz da Sandy em Tremendo Vacilão. Deu mole pra caramba tremendo vacilão... só que em ritmo de ópera. Não, caros leitores, não sou exagerada.E sabe aquela da Ivete Sangalo Eu vou enfiar uva no céu da sua boca... Ela criou um dialeto próprio pra música, algo como é de baranistáááá, é de baiacobacu.
Vocês não tem a real noção do terror que é. esse showzinho digrátis. Tudo isso na minha janela da cozinha enquanto ela, faceira, feliz e cantante lava roupas em sua área. E isso não é nada, porque ela canta em ingreis também, mas ainda não consegui decifrar de quem é a música pra poder repartir esta maravilha com vocês.
Diante de tudo isso, fico até feliz por não poder enxergá-la da minha janela, porque ver a performance corporal (chão! chão! chão!) dela enquanto canta seria demais pra minha educação britância.
E termino este post mimoso e musical modificando o ditado: Quem canta, seus vizinhos espanta!!!

sábado, 15 de maio de 2010

E sobre Viver a Vida...

Assim, na falta de um conteúdo mais sério, já que minha cabeça loira acabou de escrever coisas sobre o Estado e Políticas Públicas (porque yo soy culta, sorry), escreverei aqui baseada em David Gilmore (???) sobre o final da novela Viver a Vida. Não minha gente, não vejo novela, leio sobre o Produto Interno Bruto e sobre o aquecimento global das nove ás dez, mas neste dia (só neste!) assisti a novela.
Comecemos pelo Coisa Ruim. O Coisa Ruim entrou na novela do nada, no núcleo pobrástico e no final, virou Coisa Boa, aparecendo mais do que a Helena.
Só para lembrar, vocês, caras leitoras, a Helena é a... a.... a.... quem é mesmo a Helena?
O único pobre da novela desencarnou. A favela também e o Coisa Ruim, atual Coisa Boa, foi morar na Vila, e a Vila... não é qualquer Vila. É A VILA.
E se o pobretão desencarnou, a nipônica mais chata do mundo dos chatos, desencalhou. E se tivesse Viver a Vida 2, eu apostaria dé real como ela não seria escalada e o Dr. Ricardo ficaria com a mega super ultra sincera franca e prepotente da Isabel que até o nheco nheco da mana virgem pura minha ternura babou.
E por falar em babar, babou a pensão que a Dora receberia do Pelé, pois o filho era do Maradona.
A Helena (quem é ela mesmo?) tentou ser a melhor amiga de infância da Tereza, mas tomou mais uns desaforos pela cara... E a Tereza como não é burra nem nada, ficou de xaveco com suas lembranças de outra vida com o Marcos Mayer, mas preservando o francês. Porque importado, minha gente, é sempre mais caro!
Dessa vez, a empregada da Helena Quem é Ela Mesmo nem deu as caras e foi a empregada da Betina que roubou a cena dando conselhos bem sensatos pro Gustavo. E o Gustavo? O Gustavo nadou, nadou e morreu na praia... mas pode ser convidado para o corpo de Baile do Municipal, devido a sua dancinha quando foi abrir a porta pra Malu. Demais!
O gêmeo Mala pegou a mais bonita da novela e foi morar na Vila. A Paixão pegou o buquet e não aconteceu nada, de Paixão só o nome. E a profissional do Sequisso Pagu, Juju, Zebu, Fraju apareceu no casamento do gêmeo Mala pra que mesmo?
A Ingrid, gostei, ficou sendo a Ingrid mesmo, sem mudanças surreais, apenas mais louca a cada dia. Mas e os cavalos do marido dela??? Onde estão??? Aqui estão??? Eles se saudam, eles se saudam e se vão, e se vão!
E o Rio de Janeiro continua lindo, o Thiago Lacerda continua lindo, o amigo do Thiago Lacerda o Loiro Hilbert continua lindo, a mãe do Thiago Lacerda continua linda e sem nada pra fazer (vender Avon?) e a Luciana depois de parir gêmeos continua linda.
E viveram felizes para sempre...
FIM


sábado, 8 de maio de 2010

E sobre o Dia das Mães...



Então, ainda não escrevi sobre o Dia das Mães, mas compartilho o que rabisquei para as gurias que trabalham comigo...


Gurias,

Procurei mensagens que pudessem definir e homenagear vocês neste Dia das Mães. Não vou dizer que não achei... Achei sim, mas aquelas mensagens cheias de “nhem nhem nhem” que mais dizem que maternidade é doação, acalento, como se nós, mães, fôssemos intocáveis. Outras mensagens, ainda, mostram as dores e as delícias do ser mãe, como se já não soubéssemos muito bem!

Então, decidi que quero, pelo menos, individualizar vocês... Nada de uma mensagem que caiba para todas porque cada uma de nós é “cada uma de nós”, com o perdão da redundância.

A Taninha, por exemplo, é toda no diminutivo, mas tem uma capacidade no aumentativo... Ela é Pai também, e um grande Pai!

A Rafa tem o privilégio de viver a maternidade sob dois focos: o da menina e o da mulher. O da mulher fantástica, batalhadora, uma mulher com uma disposição imensurável para ajudar!

A Taís está sendo “mãe na marra” e sentindo também que precisa de uma. A ela, ofereço o pedaço Mãe que existe em mim.

A Naná, que vive um dia de cada vez, não perde as forças, nunca, quando o assunto é o Vavá e a Gabi. A eles, ela dedica todo o seu eu, custe o que custar!

A Vivi, literalmente, sentiu a dor que nenhuma de nós deve sentir e mesmo assim seu nome é Serenidade, Amorosidade e Companheirismo.

A Marta, pelos seus atos, tatos e ousadias, é uma leoa que faz de tudo para defender os filhos com toda a garra que é uma de suas marcas pessoais.

Que nossos Migueis, Pedros, Matheus, Nandinhos, Kailanys, Vavás, Gabis, Esthers, Netinhos, Ruthys nos façam cada dia mais pessoas melhores.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O dia em que a Terra parou...

E então, ontem, domingo, família reunida pro almoço dos 35 anos de minha mãe (heim???), dois prá lá, dois pra cá... piada, lembranças da infância pobre, lembranças da adolescência rica (onde?), lembranças de bebês gorduchos e filhos malcriados... Eis que meu dindo, irmão da minha mãe - e também do meu tio e da minha tia - resolve fazer uma declaração que me deixa sem chão, deprimida, e perplexa.

Não, ele não matou ninguém.
Não, ele não vai fazer a cirurgia de troca de sexo.
Não, ele não é adotado.
Não, ele não está com o pé na cova.
Não, ele não foi escalado para o BBB 11.

(Pausa para o choro descontrolado.
Despausa.)

Meu querido dindo resolve contar o segredo da maçonaria:
Minha família não é a minha família. Não, não fui trocada na maternidade.
Foi o meu tataravó, que se fosse vivo teria uns 234 anos, que trocou o nome da família.
Peraí. É confuso. É doloroso. Contém cenas chocantes. Tirem as crianças da sala.
Eu, Rita Perez Germano de Orleans e Bragança, sou uma invenção de meu tataravó criativo.
Meu tataravó criativo foi registrar meu bisavô e trocou o sobrenome da família real. O nome dele era Alguma Coisa Solano e ele registrou o filho de Laurentino Perez.
Então, meus camaradas, meu Perez não é meu. Seria um Solano, muito do pobrinho no lugar.
Vocês estão tendo o meu alcance de que eu na verdade não sou eu? Sou uma verdade inventada. Meu Perez não é da família da Jeniffer Lopez... Não tenho alma espanhola. Mi español is fueda.
Agora, caríssimos leitores, me imaginem como Rita Solano Germano... Que redundância! Que falta de classe!
Em épocas de educação ambiental, minha árvore genealógica foi despedaçada, arrancada pela raiz de seu habitat natural. Esperem um momento que vou ali me jogar da ponte.






Como assim??? Posso ser prima do Mateus Solano??? Ele pode me abrir as portas de Hollywood??? Posso ser o pico de audiência que faltava em Viver a Vida??? Hum...

sábado, 24 de abril de 2010

Nossa Senhora Glorinha Kalil, livrai-me deste mal, amém.

Quinta-feira achei que estava em outra galáxia. Estava na frente do colégio do meu filho, quando de repente surge uma rainha de bateria descendo as escadas. Nossa... Só não saí sambando e me quebrando toda porque não tinha música e meus olhos não permitiram que meus pés se mexessem. Eu estava em choque.
A visão era do inferno. O elemento do sexo feminino estava de jeans, blusa de zebrinha, okean roxa e, pasmem, no cabelo um coque com plumas e flores roxas. O adereço do cabelo combinava com a okean roxa... Mulher sempre está ligada em combinar... até na desgraça!
Bom, se a zebra combinava com alguma coisa, ela tinha esquecido em casa. Os roxos se encontraram no sapatinho de EVA e nas plumas, mas discutiam loucamente e o jeans era a oitava maravilha do mundo. Já imaginou se ela tivesse de saia-calça azul celeste???
Se eu estivesse sozinha, teria achado que essa campanha toda contra o crack estava me afetando, mas não. Eu tinha testemunhas. Eu tinha com quem excomungar aquela peça retirada de um cenário da Broduei (sim, com esta escrita!). E excomunguei. Olha até evoquei a Nossa Senhora Glorinha Kalil pra livrar-me de todo aquele mal, amém.
E daí, eu pergunto: Pra que nascer mulher??? Por que não veio um brócolis, uma caixa de papelão ou até mesmo uma árvore de Natal???
Podem me matar, caros leitores, podem me chamar de tudo: insensível, imatura, fútil, retardada... Podem dizer que o mundo tá desabando junto com o Morro do Bumba e eu postando bobagens. Podem dizer que a fome é mais relevante e que a Política me dá muito mais motivos pra que eu escreva com seriedade e comprometimento e eu preocupada com imagem. E por aí vai...
Mas que eu não sou nada egoísta e quis compartilhar esta aberração andante com vocês, ah isso eu quis!!!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

" E o que vai ficar na fotografia, são os laços invisíveis que havia..."


Tenho uma amiga, a Maria, que não é lá muito chegada em minha mania de tirar fotos. Não vou dizer que cada mergulho é um flash na minha vida, pois isso é um ditado de mil novecentos e noventa e dois... E eu sou cosmopolitam.
Mas que adoro estagnar o tempo, isso eu adoro.
Minha resposta pra Maria (e qualquer outra pessoa que fala deste meu, digamos, "problema") é sempre a mesma: A gente morre, ficam as fotos!
A Maria ri e se gruda em mim pra guardarmos os momentos com um sorriso no rosto sem igual.
Gosto de como um momento pode ser guardado num papel.
Quando olhamos as fotos, não vemos apenas cores, vemos também sabores. Sentimos. As sinestesias tomam contam de nós quando revemos pessoas, lugares, fatos e atos por meio de fotografias.
Namorados rasgam fotos em brigas.
Amores são beijados pelas fotos.
Dores são sentidas pelas fotos.
Fotos são colocadas junto ao peito na angústia, na saudade, na paixão.
Mães abraçam filhos pelas fotos, até mesmo quando ainda não nasceram...
Com as fotos temos a oportunidade de ter, voltar, ver, reviver.
O tempo é estagnado pela fotografia e ali é feito História. História com H maiúsculo, porque cada um de nós tem a sua História a ser contada, evidenciada e celebrada.
Leoni cantou a magia da fotografia em "Fotografia": E que vai ficar da fotografia, são os laços invisíveis que havia... E sentiu que para além de figuras e emotivos, há laços invisíveis, com o perdão da redundância, que extrapolam o papel.
Quero continuar guardando minhas Histórias num papel. Mas quero que elas sejam vistas pelas entrelinhas... quero que elas sejam sentidas por quem ali passar.
E enquanto isso não quero deixar o meu dia passar de uma fotografia. Quero que o meu dia mereça estar em uma fotografia.

http://www.youtube.com/watch?v=znxJGABVz3c

sábado, 17 de abril de 2010

Da minha gargalhada

E então uma amiga de velhos tempos escuta a minha gargalhada e diz:

- Nossa, te reconheci pela gargalhada! Tu não vai parar de gargalhar nunca?
Respondi:
- Se eu parar de gargalhar, me leva flores.

E é fato.
O mundo pode estar caindo, as certezas podem estar sendo desfeitas e os laços desamarrados, mas a minha gargalhada pode ser ouvida.
Porque este é o meu eu. Um eu que ri, que acha graça do inesperado e que vê cores nos momentos mais infâmes e caóticos.
Se isto é positivo ou negativo? Não sei. E também não pretendo classificar a minha gargalhada com sinais matemáticos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Fiadapú, te pego lá fora.

E a minha vida daria um filme daquelas comédias da Tela Quente.
Eis que me vou à costureira para fins modísticos, porque meu nome é Rita Fashion Perez Germano (heim?) e então a costureira que aqui chamarei de Fiadapú me pediu um favor.
Fiadapú: O menina, será que tu poderias experimentar essa blusa pra mim?
Eu, me sentindo a modelete: Tudo bem dona Fiadapú.
Fiadapú: Sabe o que é... é que minha cliente tem os braços gordos que nem os teus... (Isso mesmo, caro leitor, ela fez isso.)
Eu, com uma cara de "ã": Aham...
Fiadapú surge com uma blusa que mais parecia uma colcha de tão imensa, abre o buraco do braço e enfia no meu.
Fiadapú: Ah, teu braço nem é tão gordo quanto o dela, mas acho que dá...
Eu, enlouquecida, raivosa e com instinto assassino: Fiadapú, vai pra ponte de paris, tu tá pensando o quê? Sua bigoduda de merda, vai fazer esta barba que tens um maranduvá embaixo do nariz. Braço gordo tem a mãe do Badanha e toda família dele, meu braço é fortinho... não tem nada de gordo. Vou te pegar ali na esquina e acabar com todos os dentes sobreviventes que tens nessa boca imunda. (Tá tudo isso é licença poética)

Saí de lá pensando seriamente em me atirar do quinto andar do Edifício Latoscana (aquele da Pampa), porque aquela bigoduda só pode ter sido enviada pelo vermelhudo lá do andar debaixo pra acabar com o meu rico dia. Aff , não sabe nem a diferença de balonê pra saruel... e nem distingue os vááááários tipos de xadrez que existem. Gucci pra ela é marca de achocolatado em pó e Prada é a mulher do Prado.

Mas, eu prometo, ah eu prometo, que volto lá com uma cera quente e peço pra ela experimentar no urso que ela tem embaixo do nariz pra ver a cera funciona....

E quem me ama deixa comentário dizendo que meu braço não é gordo (se não os dente cai tudo).

terça-feira, 13 de abril de 2010

Do silêncio.


Às vezes fico pensando, o porquê de vermos mais televisão do que lermos. Sei que a resposta parece óbvia: por toda a multiplicidade de linguagens que há na televisão e seu dinamismo, blá blá blá. Mas não quero esta obviedade. Quero uma explicação mais poética, metafórica, mais condizente com as vozes do ser humano.
Lemos sozinhos. E qualquer tipo de isolamento e individualização, hoje, é tomado como sintoma de que algo não está bem. Vivemos no coletivo e o monólogo pode nos causar um sentimento melancólico. Pode nos causar esta solidão e este silêncio.
E temos aversão à solidão. Temos aversão ao silêncio.
E cheguei onde queria chegar. Ao silêncio.
Li uma frase do escritor Carlos Castañeda em que ele afirma que o silêncio é uma das coisas mais poderosas que existe. Achei encantadora esta frase e fiquei a refletir sobre as múltiplas faces do silêncio.
Fiquei a refletir sobre o silêncio que fala, o silêncio que transcede a palavra, o silêncio que grita, o silêncio que aquieta.
Estar em silêncio, algumas vezes, pode ser mais perturbador do que a palavra mais articulada.
O silêncio corrompe, arranha, maltrata.
O silêncio alimenta, festeja, anuncia.
O silêncio renuncia, chora, marca.
O silêncio define, exclui, sente.
As maiores verdades são ditas na quietude de um silêncio. Basta termos a sensibilidade para traduzi-las.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Do meu joelho esfolado


Sinto saudades do meu joelho esfolado.
A cada joelho esfolado uma história, uma singularidade, uma magia.
A cada joelho esfolado uma brincadeira, uma correria, uma ação, um sorriso.
Na minha época, os joelhos eram outros.
Sinto saudades do meu joelho esfolado...
... e de todas os encantos que ele significava.

domingo, 11 de abril de 2010

A teoria do feio


Não sei o que me trouxe a escrever sobre beleza. Talvez a minha estonteante mistura de raças que ocasionou em minha pele alva e meus caracóis nos cabelos (heim?!)... Mas o caso é que ao buscar mais subsídios para esta escrita apenas me deparei com métodos e técnicas para chegarmos, enfim, à beleza extremada, idealizada, a beleza midiática. O manual da beleza sonhada está por todos os lados, nos provocando, nos metendo o dedo na ferida.
Nada. Não encontrei nenhuma resenha, monografia, artigo, dissertação que explanasse sobre a dita cuja. Nada que me desse argumentos de autoridade suficientes para que eu possa corromper com a estética publicitária almejada por todos de uma maneira, digamos, mais brilhante . Sem bibliografias!
Mas encontrei a Teoria do Feio do jornalista Xico Sá que afirmou que a beleza acomoda e que o feio vence aos poucos e com mais conteúdo. Achei hilária tal afirmação e se refletirmos à luz da pós-modernidade, Xico está coberto de razão.
O bonito chega e chega. O feio não é notado, precisa esforçar-se para se fazer presente.
O bonito basta olhar para encantar . O feio é necessário falar. E falar bem.
O bonito ganha por nocaute. O feio? Por pontos, lentamente, fazendo todos ficarem atentos à sua luta.
Sem traços "novelísticos", o feio precisa de outros atributos para chegar ao pote de ouro do fim do arco-íris e esta busca é positiva para ele, já que, desacomodado, ele bebe de fontes que o bonito não precisa! Daí, então, a teoria do jornalista de que a beleza acomoda.
Teorias à parte, o que é fato na sociedade atual é que o belo é bem melhor tratado pelo mundo do que aquele que não foi visitado pela fada da beleza. A beleza abre portas, janelas e portões. Constrói pontes e elimina muros.
Mas o mais certo ainda é que com olhos azuis ou nariz torto a busca pela substância deve ser uma prioridade eterna.

Presentinho!

Mexe com os seus também?
Por quê???

Pela porta da frente...

E em tempos de "Rebolation bate na palma da mão, vai..." eis que nas linhas do horizonte surge uma menina com ares de Cássia Eller, com a prepotência de Elis Regina, com a autenticidade de Ana Carolina e com a sua própria voz, de timbre diferente, levemente rouco, inigualável, que não me atrevo a comparar.
Estou falando de Maria Gadú. Estou falando de Música com M maiúsculo. MPB na veia.
Em uma época em que fórmulas prontas se repetem e antigos sucessos tentam salvar a carreira de alguns, Maria Gadú chega com seu CD em que todas as suas músicas são dignas de aplauso em pé.
Maria Gadú canta Baba Baby de Kelly Key (ou seria do Latino?) com uma delicadeza e substância de arrepiar. Maria Gadú canta Doce, doce, doce, a vida é um doce vida é mel, da Xuxa, como se fosse um mantra. Maria Gadú canta o que quer e fica fantástico.
Acredito que sua liberdade e seu atrevimento musicais a deixem muito tempo neste cenário. LIVRE… ela toca e canta o que lhe dá vontade, e não se limita a cultura de massa para buscar mais admiradores. Ela própria a admira e isso basta para que sua música seja difundida.
Sem dúvidas, entra pela porta da frente da Música Popular Brasileira, mas se não entrasse ela poderia muito bem pular a janela, pois shimbalaiê pra isso ela tem de sobra.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Heim?

De que vale meu cabelo liso se as ideias são enroladas dentro da minha cabeça?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dunga

Não queria estar aqui escrevendo. Não por este motivo.
Mas parece que escrever me liberta um pouco. Me acalma. Me acolhe a alma.
Meu Dunga, meu cachorro loiro e liso se foi.
Se foi sem me dar tchau, sem me explicar o porquê, sem me deixar que eu implorasse pra ele ficar.
Ficar pra me fazer mais feliz todos os dias. Mais feliz com sua presença.
Não quero usar o verbo no passado. Mas o verbo no passado se faz presente.
Ele era o melhor companheiro do mundo, um companheiro silencioso,carinhoso, comilão e esperto.
Sorria pra mim. Sorria com seu rabinho balançando cada vez que me enxergava, cada vez que me dava a honra de merecer o seu carinho.
Ele não me respeitava. E eu não ligava, não ligava porque sua companhia era bem melhor que qualquer tipo de respeito.
E agora eu não terei mais aquele aconchego, aquele pelo macio, aquele pulo alegre, aqueles olhos pedintes. Aquela luz.
O Dunga era luz.
Só me resta agora inventar a presença dele pra que eu possa pretensiosamente viver sem toda a sua luminosidade.

Vão falar

"Vão falar que você não é nada
Vão falar que você não tem casa
Vão falar que você não merece
Que anda bebendo e está perdido
E não importa o que você dissesse
Você seria desmentido
Vão falar que você usa drogas
E diz coisas sem sentido
Se eu for ligar
Pro que é que vão falar
Não faço nada…"

Desconheço a autoria, mas foi regravada pelo Capital Inicial... E na voz simples e sem oscilações do Dinho Ouro Preto confundida com seu jeito "sou assim de ser" fica fantástica.
E vão falar...
Se você fizer mal feito, se você fizer bem feito, se você não fizer, se você fez não querendo fazer.
Vão falar...
Se a torneira ficar aberta, se a luz estiver apagada, se a conta estiver zerada, se você estiver gastando muito.
Vão falar...
Se o beijo for molhado, se o grito for abafado, se o grito for gritado, se o beijo for negado.
Vão falar...
Se o arroz estiver grudento, se a massa estiver al dente e se a Coca-Cola estiver sem limão.
Vão falar...
Se o silêncio for o luxo, se as palavras forem o lixo e a sanidade for o surto.
Vão falar....
E vão falar.
E se um dia calarem é a vez de você pensar o porquê de não estar fazendo mais cócegas na alma de ninguém.
E rever seus conceitos pra não ser você a falar.